-São Paulo, capital gastronômica do Brasil. Que tal explorar essa virtude tão bem exaltada?
-Mas já é um assunto tão batido.
-Por quê?
-Ah! Porque existem diversos sites e blogs por aí que já falam sobre isso.
-E se abordarmos de forma diferente? E se formos pessoalmente, em bares e restaurantes e não só entrevistarmos, mas vivermos a experiência do lugar para podermos mostrar ao público do nosso blog como realmente é o lugar?
-Sim, aí não fica de forma superficial e ainda de quebra mantemos um contato agradável com o leitor. Saímos da mesmice que vemos por aí não é?!
-Então ta! Vamos fazer assim, a cada quinze dias visitamos um bairro a procura de lugares bons e interessantes e postamos aqui no blog. Com vídeos, fotos e tudo o que o leitor precisar pra ver realmente como é o lugar.

E assim começou a idéia do Gourmet Paulistano, um blog que deixa de lado todo o papo superficial pra mostrar o que você, leitor, pode aproveitar de melhor nos lugares que visitamos.

Quer aproveitar a São Paulo gastronômica de que tanto ouviu falar? Então veja e aproveite as nossas experiências, pra poder saber onde você pode ir para aproveitar uma balada, um jantar a dois, uma boa comida típica ou mesmo os pratos mais excêntricos da cidade.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Tatuapé: pequena cidade em São Paulo

“Tatuapé é uma cidade grande do interior dentro de São Paulo. Você tem muita facilidade pra fazer amizade com o pessoal da rua. As pessoas se encontram, se cumprimentam. A diferença é que o poder aquisitivo aqui é maior”. É assim que Antonio Nagle, proprietário de um dos restaurantes que visitamos, definiu o bairro que escolheu para tocar seu negócio quando veio de Marília, interior de São Paulo.

Localizado no Sudeste da cidade, o Tatuapé surgiu com as vinícolas do século XIX e se modernizou até se tornar um dos distritos mais sofisticados de São Paulo, concentrando hoje uma população de alto poder aquisitivo e muitos idosos. Foi lá que passamos a última semana, procurando, entre tantas opções, lugares diferentes e aconchegantes.


É de Baba...


Foi em uma manhã de sexta-feira que nossa equipe conheceu o Baba Japi, restaurante de comida árabe na rua Serra do Japi, número 859. Durante nossa conversa com Antonio Nagle, proprietário do restaurante, percebemos como é próxima a relação com os funcionários: abraços e clima amigável sempre. Assim começava mais um dia de trabalho, ao som de música árabe.


O Baba Japi nasceu a partir da venda de comida árabe pela irmã de Antonio, há mais de 20 anos. A idéia tornou-se uma pequena lanchonete e acabou virando um restaurante em Marília, que cresceu até possuir três estabelecimentos na cidade, inclusive dentro de um shopping. Quando Marília ficou pequena, Antonio logo pensou em São Paulo, e se instalou no Bairro do Tatuapé que, segundo ele, “está se tornando outra Vila Madalena” no ramo dos restaurantes. Inaugurado em janeiro de 2009, o restaurante funciona de terça-feira a domingo, das 10 horas até o último cliente.


Antonio Nagle está no restaurante pela manhã e à noite, quando o movimento é mais intenso e ele vai de mesa em mesa “saber como estão sendo atendidos, se estão gostando da comida e se tem alguma sugestão ou reclamação a fazer”. Ele nos convidou a conhecer a cozinha e o resto do restaurante dizendo não ter medo de críticas, já que “restaurante para agüentar 20 anos tem que ter comida boa e nunca ter feito bobagem nenhuma”. A princípio o cardápio não sofreu alterações ao vir para São Paulo, mas hoje novos pratos já estão sendo desenvolvidos visando o maior poder aquisitivo dos paulistanos. A filial daqui é a única que vende lanche natural e o preço médio é de 24 reais por pessoa. Ele diz não conhecer no local outro restaurante árabe com tamanha variedade de pratos. No entanto, o cardápio conta com poucos tipos de sucos.


O Baba Japi também possui pratos à la carte e serviço de entrega, mas o ambiente é um pouco apertado, o que dificulta a acessibilidade de cadeiras de rodas, carrinhos de bebê e pessoas com dificuldade de locomoção.

A especialidade da casa é o Carneiro à caçadora, e a caça não fica só na comida, Antonio tem uma brincadeira com os clientes: se eles não gostarem do prato, não pagam; mas se aprovarem e ainda disserem "hum..." , ele cobra 10% a mais. " Tem um dos funcionários só de olho nisso", acrescenta, uma "brincadeira" saudável e que rende. Ele diz nunca ter perdido uma só aposta.

Toda sexta-feira, a partir das 21 horas, tem apresentação de dança do ventre. Dançarinas sozinhas, duplas e até homens, como no especial Dia das Mães, que acontecerá neste sábado, 8 de maio.

Nesse momento o ambiente se transforma, e um típico jantar vira um inusitado acontecimento. Tatiane Medina, 23, formada em direito, começou a dançar desde os 13 anos, e é sempre acompanhada da mãe ou da avó, a dona Vilma, em suas apresentações; a noite que registramos sua dança, descobrimos que ela foi convidada a pedido de clientes que voltaram ao restaurante só para vê-la novamente, depois da primeira apresentação no Baba há 2 semanas. Ela começou nessa arte, não pela redescoberta do corpo ou por um hobby lucrativo como ela disse, mas da “dança pela dança”.


Restaurante Baba Japi

Rua Serra do Japi, 859

Contato: 2093-1400 / 2093-0060


Funcionamento: Terça a domingo das 10h até o último cliente

Delivery : Terça a domingo das 17h00 às 23h00





domingo, 4 de abril de 2010

Restaurante que não parece restaurante


Pequeno, cheio de coisas velhas. Um retorno ao passado de várias gerações. Parece papo de museu, mas esse é o ambiente do Restaurante Santa. Madalena. Ser diferente é o charme do local. Lucia Sequerra é a chef e proprietária do estabelecimento que foi uma antiga mecânica da Rua Santa Madalena, 27 há dez anos. A cozinha que ela estabeleceu no Santa recebe influências de diversos países, como Itália e França, com destaque na culinária mediterrânea, pois a família de Lúcia tem origens próximas ao Egito e Marrocos. Os pratos típicos dessa região recebem muitas especiarias, azeitonas e azeite.



Ao entrar lá, mesas e cadeiras antigas de segunda mão, rádios e vitrolas quebrados, dentre outros itens doados pelos clientes e moradores locais são os detalhes que mais chamam a atenção. Veja no álbum do Flickr para ter uma ideia do que estamos falando. O cliente que entra pela primeira vez pode ficar desacostumado na escolha dos pratos, pois o Santa Madalena aboliu o cardápio. Os pratos são apresentados na hora, e os clientes que já conhecem a casa recebem um mailing contendo as novidades que eles podem comer no restaurante. Mas na primeira visita, você come o que está disponível – às vezes o estoque falta e causa alvoroço. Lucia explica que tomou essa decisão pois quase nunca o cardápio era olhado.



A música ambiente vem de uma coleção de vinis que varia do MPB, como Tim Maia, Chico Buarque, Caetano, Nara Leão e Maria Betânia, até internacionais como Elvis, Beatles, Sting , Santanna, Deep Purple e Guns’n Roses, passando por algumas raridades como a trilha sonora do filme Metropolis, referência cinematográfica no final dos anos 1920.



Um dos fregueses, que é DJ, costuma levar seus discos e se apresentarpor ali. Lucia diz ser eclética, mas para manter um clima tranquilo ela restringe alguns estilos, como rock muito pesado ou música sertaneja, para evitar "bagunça". O Santa Madalena já foi palco de encontros que viraram casamentos e memoráveis barracos, inclusive com famosos. Lucia relembra que alguns já tentaram sair sem pagar com desculpas como a do "limite do cartão de crédito". Mas nem tudo é guerra na história do restaurante, o lugar está repleto de lembranças de grandes elos de amizade também, literalmente. Em uma das paredes do local há uma planta do projeto original da Catedral da Sé, doado por um engenheiro que é amigo do marido de dela.


Restaurante Santa Madalena

Rua Santa Madalena , 27

Contato: 3287-6999

Funcionamento

Almoço: Segunda a Sexta das 12h00 as 14h30

Jantar: Quarta a Sábado das 19h00 a 01h00

sábado, 3 de abril de 2010

Tradições renovadas


O bairro da Bela Vista é conhecido pela cozinha italiana das diversas cantinas que existem na região. Casas famosas pelas massas, como a cantina Roperto, a Tratoria L'Italiano, fizeram tradição pela rua Treze de Maio. Uma delas chama a atenção, não só pela história, como também pelo tamanho.



O Villa Tavola foi aberto há nove anos na Rua Treze de Maio, 848, e toma quase todo o quarteirão. Mas a história deste estabelecimento é mais antiga. A La Tavola, cantina que ficava a uma quadra de distância da atual (no número 621) começou a funcionar em 1963, com pratos típicos, como perna de cabrito e a macarronada. A casa que funciona agora comporta quase mil pessoas, bem diferente da anterior que concentrava no máximo 100-150 clientes. Seguindo uma tradição de quase 50 anos, o restaurante atualmente está nas mãos de Cláudio Pinto, gerente de 26 anos. Ele diz que foi o único entre os herdeiros que encarou o desafio de continuar a história da cantina de seus pais e avós. Ninguém acreditava que um rapaz tão jovem quisesse seguir esse caminho.



A nutricionista Franciane Ramari trabalha com a família há 15 anos e cuida das normas técnicas e higienização do Villa. Ela comenta que teve que mudar quase tudo, pois a cantina original possuía vários vícios ruins na higiene, como ter bigodes e usar panos para limpeza. "Eu quero que meu trabalho seja cumprido", afirma. Atualmente controle dos alimentos é bastante rigoroso. Se um cliente vem reclamar que passou mal numa quarta feira porque comeu um macarrão estragado, por exemplo, Franciane tem guardadas amostras de cada prato que foi produzido naquele dia, para averiguar se realmente a comida estava com problemas.



A macarronada claro, é um dos carros chefes, assim como a perna de cabrito, prato mais vendido. Mas Cláudio implementou novas formas de atendimento, como o buffet, que é uma alternativa para os clientes que gostam de comida italiana mas têm pressa para se servir. A noite, para quem gosta de um jantar mais requintado, o garçom leva para o salão um carrinho com fogão embutido, panelas e ingredientes, montando e preparando o jantar ao vivo de forma personalizada, sendo um show a parte para o cliente.

Quer ver mais fotos do local? Visite nosso álbum do Villa Tavola.



Restaurante Villa Tavola

Rua Treze de Maio,

Contato: 2842-9620


SERVIÇOS 24 HORAS

O Villa Tavola não fecha nunca. Confira, abaixo, os serviços que estão disponíveis 24 horas:

Italian bar

Clube do Whisky


Piano bar - SALÃO DO AQUÁRIO


Café da Manhã - das 6h00 as 10h00é montado um buffet, depois o serviço é pelo cardápio a la carte.

Chá da Tarde - das 16h00 as 18h00 é montado um buffet, depois o serviço é pelo cardápio a la carte.

Happy Hour - a partir das 17h30


Salão nobre

Serviço a la carte

Salão Terrazza


Buffet das 12h00 as 15h00 e serviço a la carte no restante do tempo.

Buffet de Sopas - das 22h00 as 6h00


SALÕES DE EVENTOS


Salão Museu da Gastronomia para 40 pessoas

Sala Vip Amaury Jr. para 15 pessoas

Sala Vip Ayrton Senna para 15 pessoas

Cyber Café

Doceria e Gelateria


EMPÓRIO ROTISSERIA



sexta-feira, 2 de abril de 2010

Importado Nacional



Começamos nosso primeiro post no bairro da Bela Vista. O lugar é conhecido pelas cantinas italianas e histórias de imigrantes, por isso ficou difícil apresentar um estabelecimento que se diferenciasse. Antes de encontrarmos um local com uma proposta nova, vimos que o Museu da Memória do Bixiga reabriu. Lá encontramos preservados diversos quadros e ferramentas antigas. Seguimos então na busca por um restaurante diferente. E esse lugar fica na Rua Rui Barbosa, 206 - se chama Restaurante Amazônia.


Ambiente curioso. Não tem macarrão, a cozinha é típica do estado do Pará. Além disso, percebemos que os pratos do Amazônia não chamam a atenção apenas de conterrâneos que moram em São Paulo ou turistas da região Norte, mas também de muitos descendentes de japoneses que buscaram uma comida diferente das massas italianas, muito comuns na Rua Treze de Maio.




A equipe conversou com a gerente Dulcinéia do Nascimento. Ela conta que pelo fato de os pratos serem típicos, às vezes faltam alguns itens. Para essas horas de aperto ela conta com o restaurante Tordesilhas como um fornecedor amigo.Ali a cultura da região Norte do Brasil se mescla com a cultura italiana do bairro. O teto, por exemplo, é decorado com grandes bandeiras nas cores vermelha, branca e verde. Mas essas também são cores amazônicas, pois o branco simboliza a tapioca, o verde da mata e o vermelho do Bio Garantido da festa de Parintins, que ocorre em Manaus todos os anos. Curiosidade: garçons de chinelos e com uma grande arara azul estampada nas costas das camisetas.


Os clientes são bastante reservados. Cláudio Sadatoshi, por exemplo, ficou um pouco receoso de conversar conosco, mas pudemos ver que ele gosta muito do lugar. Quando visitou o restaurante pela primeira vez foi sozinho; a originalidade do lugar o agradou e no domingo que o conhecemos (14/03) ele estava com toda a família. Elogiou o Pato no Tucupi, prato conhecido pelo sabor curioso que mistura a ardência dos apimentados com a dormência causada pelo jambú, pequena fruta verde e vermelha muito usada no Pará.


Curiosidade: já viu feijoada sem feijão? No Norte do país existe, e se chama Maniçoba. Ela é feita com casca de mandioca curtida durante uma semana. E tem um cheiro muito bom, diga-se de passagem.


Durante a época de caranguejo no Pará, o Amazônia oferece esse crustáceo em algumas quintas-feiras do mês. E ainda rola uma sessão de Carimbó, dança típica, inspirada no batuque africano.Na hora de ir embora decidimos experimentar um dos produtos da casa, uma porção de açaí nativo e, para quem acha que ele é doce, se engana. É amargo e combina com farinha d’água ebastante açúcar.



Conheça mais detalhes do restaurante em nosso álbum.





Restaurante Amazônia


Rua Rui Barbosa, 206


Contato: 9121-6196 e 3142-9264


Funcionamento


Segunda e Terça das 12h00 às 16h00


Quarta a Sábado das 12h00 às 16h00 / 19h00 às 23h30


Domingo das 12h00 às 22h00








Autoria do vídeo - Antônio Rosado Jr.




 

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